Reflexões

Mal-estar no trabalho: quando o cansaço não é só cansaço

Hilda Teixeira da Costa 5 min de leitura

Palavras-chave: burnout psicanálise, esgotamento profissional psicanalítico, mal-estar trabalho BH

'Estou esgotada.' 'Não aguento mais.' 'Preciso de férias.' São frases que ouço com frequência — e que, quando chegam ao consultório, raramente descrevem apenas cansaço. Descrevem algo mais antigo e mais complexo: um mal-estar na relação com o trabalho que nenhuma quantidade de descanso vai resolver, porque o problema não está no ritmo — está no vínculo.

O que Freud chamava de mal-estar

Freud usou o termo Unbehagen — mal-estar, desconforto — para descrever o custo psíquico que a civilização exige de cada pessoa. Vivemos em estruturas que demandam renúncias: de impulsos, de tempo, de partes de nós mesmos que não cabem nos papéis que ocupamos. O trabalho contemporâneo intensificou esse custo. A expectativa de disponibilidade permanente, a produtividade como valor moral, a performance como identidade — tudo isso produz um tipo de exaustão que não é tratável com sono.

Quando o descanso não resolve

Esse é o sinal mais claro de que o problema não é operacional: você tirou férias, descansou, dormiu bem — e voltou exatamente onde estava. Porque o cansaço que vem de um conflito na relação com o trabalho não está no corpo. Está na forma como você se posiciona nessa relação: o que você espera, o que teme, o que sente que deve provar, o que percebe que está perdendo.

O corpo que fala

Antes das palavras, o corpo avisa. Tensão muscular sem causa física. Insônia nos dias úteis, sono pesado nos fins de semana. Dores que surgem nas manhãs de segunda-feira e somem na sexta. Esses sintomas não são psicossomáticos no sentido de 'imaginários' — são sinais reais de que algo no funcionamento psíquico está sobre carga. O corpo encontra formas de dizer o que a mente não consegue formular.

O que a psicanálise oferece aqui

Não um protocolo para voltar a trabalhar mais eficientemente. A psicanálise oferece um espaço para entender sua relação com o trabalho: o que você espera dele, o que ele representa na sua vida, o que você está negociando quando aceita certas condições e recusa outras. Às vezes o que emerge é uma mudança profissional. Às vezes é uma mudança na forma de se relacionar com a mesma profissão. Mas o ponto de partida é sempre o mesmo: entender, antes de resolver.

Quer conversar sobre isso?

A primeira conversa é gratuita e sem compromisso — cerca de 20 minutos para entender se faz sentido trabalharmos juntos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui o acompanhamento psicológico ou psicanalítico individualizado.