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Conflito entre sócios: quando o jurídico não resolve o humano

Hilda Teixeira da Costa 7 min de leitura

Palavras-chave: conflito entre sócios empresa, desentendimento societário, mediação entre sócios

O acordo de sócios existe. Os advogados foram contratados. O contrato foi revisado e assinado. E o conflito persiste — às vezes pior do que antes. Esse é o padrão que eu vi se repetir incontáveis vezes durante os anos em que estive no Tribunal: o instrumento jurídico estava ali, mas o problema humano que o tinha gerado permanecia intacto.

O que os contratos não podem fazer

Contratos resolvem direitos e obrigações. São instrumentos extraordinários para isso — mas apenas para isso. Eles não resolvem a desconfiança que se acumulou ao longo de três anos de divergências não ditas. Não restauram o respeito que foi perdido numa reunião que saiu do controle. Não endereçam a sensação de um sócio de que o outro nunca o reconheceu como igual.

O que está de fato em jogo

Conflitos societários raramente são sobre o que parecem ser. A briga sobre a distribuição de lucros é frequentemente uma briga sobre reconhecimento. O impasse na estratégia é frequentemente um impasse sobre quem tem autoridade para decidir. A divergência sobre contratações esconde, muitas vezes, uma disputa sobre identidade — sobre que tipo de empresa cada sócio acredita que está construindo e com quem.

A perspectiva de quem viu dos dois lados

Como desembargadora, vi processos societários que duraram anos, consumiram fortunas em honorários e terminaram com uma sentença que nenhum dos dois lados considerou justa. O que nenhuma das partes havia feito antes de chegar ao tribunal — e que eu nunca tive o instrumento para propor dentro do processo — era simplesmente sentar e entender o que estava acontecendo na relação.

Quando intervir — e como

A intervenção mais efetiva acontece antes que o conflito chegue ao jurídico. Não porque o jurídico seja errado — às vezes é inevitável e necessário — mas porque a intervenção relacional precoce tem uma chance real de preservar o que ainda existe de parceria. O processo começa com um diagnóstico: o que está em jogo, quem são as partes, o que cada um precisa para que a relação possa continuar — ou para que possa terminar sem destruir tudo que foi construído.

Quer conversar sobre isso?

A primeira conversa é gratuita e sem compromisso — cerca de 20 minutos para entender se faz sentido trabalharmos juntos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui o acompanhamento psicológico ou psicanalítico individualizado.