Palavras-chave: conflito entre sócios empresa, desentendimento societário, mediação entre sócios
O acordo de sócios existe. Os advogados foram contratados. O contrato foi revisado e assinado. E o conflito persiste — às vezes pior do que antes. Esse é o padrão que eu vi se repetir incontáveis vezes durante os anos em que estive no Tribunal: o instrumento jurídico estava ali, mas o problema humano que o tinha gerado permanecia intacto.
O que os contratos não podem fazer
Contratos resolvem direitos e obrigações. São instrumentos extraordinários para isso — mas apenas para isso. Eles não resolvem a desconfiança que se acumulou ao longo de três anos de divergências não ditas. Não restauram o respeito que foi perdido numa reunião que saiu do controle. Não endereçam a sensação de um sócio de que o outro nunca o reconheceu como igual.
O que está de fato em jogo
Conflitos societários raramente são sobre o que parecem ser. A briga sobre a distribuição de lucros é frequentemente uma briga sobre reconhecimento. O impasse na estratégia é frequentemente um impasse sobre quem tem autoridade para decidir. A divergência sobre contratações esconde, muitas vezes, uma disputa sobre identidade — sobre que tipo de empresa cada sócio acredita que está construindo e com quem.
A perspectiva de quem viu dos dois lados
Como desembargadora, vi processos societários que duraram anos, consumiram fortunas em honorários e terminaram com uma sentença que nenhum dos dois lados considerou justa. O que nenhuma das partes havia feito antes de chegar ao tribunal — e que eu nunca tive o instrumento para propor dentro do processo — era simplesmente sentar e entender o que estava acontecendo na relação.
Quando intervir — e como
A intervenção mais efetiva acontece antes que o conflito chegue ao jurídico. Não porque o jurídico seja errado — às vezes é inevitável e necessário — mas porque a intervenção relacional precoce tem uma chance real de preservar o que ainda existe de parceria. O processo começa com um diagnóstico: o que está em jogo, quem são as partes, o que cada um precisa para que a relação possa continuar — ou para que possa terminar sem destruir tudo que foi construído.